terça-feira, 26 de abril de 2011

A história da dona de casa que virou a personagem do racionamento

Conto histórias todos os dias, mesmo que não se possa escolher o que escrever, as que mais gosto de levar aos leitores são aquelas que podem promover mudanças, sejam elas para uma, duas, ou diversas pessoas. Para a edição comemorativa de 17 anos do Jornal MINUANO, que foi encartada no periódico no dia 15 de abril, a proposta do editor era que a redação retomasse matérias nas quais o jornal havia feito a diferença na vida de pessoas, já que a principal característica apontada pelos próprios leitores em pesquisa, é a parceria com os temas da comunidade. A partir dai, me propus a relembrar a história da dona de casa Vanessa Medeiros, que através das páginas do MINUANO virou a personagem do racionamento de água. Acompanhe na integra a reportagem:

“Preciso da água principalmente para as crianças”


Junto com o ano de 2011, iniciou mais um racionamento de água em Bagé, medida adotada em função da grave estiagem que o município ainda enfrenta. Logo no primeiro dia, a reportagem do Jornal MINUANO buscou saber da população o quanto a rotina se alteraria com a medida, e também como estavam se preparando para encarar 12 horas sem água nas torneiras. As famílias que não possuíam reservatórios seriam as mais atingidas, já que deveriam se precaver ainda mais contra a seca. Na busca por relatos de moradores que pudessem descrever este momento, conhecemos no bairro Habitar Brasil, a dona de casa Vanessa Medeiros, 31 anos, mãe de duas filhas, e na época à espera de gêmeas. A história de Vanessa ganhou por duas vezes a capa do jornal, e não é por acaso que ela é considerada a personagem do racionamento.



Um mês se passou, e o objetivo da reportagem era mostrar como esse período havia sido enfrentado, já que na primeira matéria, os relatos davam previsões de como seria encarado o racionamento, e passado este tempo, já era possível realizar uma análise mais completa. Retornando no mesmo local, lamentando Vanessa contou que o tonel já não mais lhe ajudava, já que a bóia havia estragado, e não mais poderia contar com a quantia a mais que o reservatório lhe garantia. A alternativa era seguir juntando água em 30 garrafas pet. Mesmo com toda a adversidade, a dona de casa afirmava que: “está dando para levar”, mostrando que já se acostumara com a medida. A maior preocupação era com o nascimento das gêmeas que se aproximara, o que fazia com que lamentasse as filhas nascessem justo neste período. O maior desejo relatado era o mesmo da maioria dos bajeenses: a chuva.


            Com a história duas vezes divulgada pelo Jornal MINUANO, ambas com destaque na capa, a dona de casa não ganhou só popularidade no bairro onde mora, mas sensibilizou a muitos, porque retratou o drama de quem não tem o que é considerado essencial: a água. Com o decreto de situação de emergência, a cidade de Bagé passou a receber a ajuda da Defesa Civil do Estado, que enviou reservatórios de água, cestas básicas, filtros e água potável. Com a chegada do material, muitas foram as famílias que receberam e ainda recebem a ajuda. Em especial, a partir do destaque que teve ambas matérias já relatadas aqui, Vanessa e sua família ganharam uma caixa d’água, cesta básica e água potável. A história dessa personagem rendeu até aos vizinhos, que também receberam o benefício.



            As gêmeas Natali e Nicoli já completam um mês, e a água já não é mais uma preocupação constante na vida da mãe, mesmo que ainda não tenha conseguido realizar a instalação do reservatório. Para a dona de casa a ajuda trouxe melhores condições de higiene, e um melhor local para o armazenamento de água. Vanessa afirma que não esperava que a partir da publicação pudesse receber todas as doações, “não imaginava que ia ganhar tanta coisa” revela emocionada, contando que acreditava que o jornal mostraria apenas a história, e não influenciaria na sua realidade. A dona de casa que mora numa área considerada verde, com as quatro filhas e o marido Vitor, busca agora realizar outro desejo, o de construir uma melhor casa, já que a que possui é pequena para a família, e não possui boas condições estruturais. Com a ajuda do marido, que é servente de pedreiro, e com o dinheiro que tira da venda de quindins, que faz quando pode, idealiza a concretização desse sonho.



 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Bagé: o Sertão Gaúcho



Na foto acima registrei a seca que a região da campanha enfrenta desde o ano passado, nela é possível retratar um dos setores mais prejudicados com a estiagem: o campo. 

Eu voltei!!!

Depois de anos afastada desse espaço próprio, volto cheia de vontade de retomar o blog. Pretendo divulgar aqui, não só notícias de Bagé e região, de matérias que assino no Jornal MINUANO, como também postar comentários de assuntos pertinentes a nossa cidade e estado, e indicar materiais interessantes aqui na rede.